quarta-feira, 28 de setembro de 2011

DESENCONTRO

Era mais um desses eventos sociais, aos quais invariavelmente não podemos faltar,  enfadonhos e sem muitas novidades. Elegantemente trajado, era eu mais um figurante dentre aquele imenso grupo de atores, trabalhando numa peça do cotidiano, sem roteiro predefinido. Sorrisos insípidos, gestos cordiais, automáticos, copo vazio na mão e os pensamentos a quilômetros de distancia.

Uma voz agradável trouxe-me de volta à realidade, enquanto um misto de surpresa e felicidade invadiu minha alma. Não consegui prestar atenção no que ela me dizia. Senti apenas meus olhos saboreando cada centímetro daquela visão maravilhosa. Morena, trajando um lindo vestido branco, lábios carnudos, a boca sensual e aquele mesmo sorriso maroto. Como num passe de mágica, busquei lá no sótão de minha mente imagens de momentos maravilhosos que pensei haver esquecido.

Até então, muita cosa acontecera em sua vida. Entre outras, contou-me que, com muita perseverança, já estava diplomada e vinha conseguindo realizar seu sonho profissional. Aproveitou o ensejo para inteirar-me da maratona que, até então, tinha sido sua vida. Por um capricho do destino, estávamos ali, surpresos e emocionados, naquele ambiente, acompanhados de alguns amigos comuns.

Dalí saímos em busca de um ambiente acolhedor, aconchegante, onde pudéssemos aplacar o desejo de nossos corpos ardentes. Cada detalhe daqueles momentos era vivido com tamanha intensidade, envolvidos com recordações passadas, mas que pareciam ter acontecido ontem. Seus longos cabelos escuros deslizando entre meus dedos, minha mâo acariciando seu pescoço, sua nuca, puxando-a suavemente, como tantas outras vezes, para colher mais um beijo caloroso de sua boca sensual. Sentada em meu colo, sentia no seu abraço carinhoso o cheiro do seu corpo e o roçar dos seus pequeninos seios clamando por mais beijos e carícias.

O tempo havia parado. Apenas nós dois naquele oásis de felicidade, vivendo um maravilhoso mundo de amor. De repente tocou a campainha, anunciando o serviço de quarto. As imagens se confundiram e senti meus braços vazios, enquanto o despertador continuava insistente, chamando-me para mais um encontro com o cotidiano.


                                                                                                                                          Zumbi

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