sábado, 27 de agosto de 2011

POR UM FIO

Todos os trabalhadores já haviam descido para os cacauais, quando Rosinha se dirigiu à casa sede da fazenda, para fazer a limpeza diária. Eu gostava de vê-la no seu vestidinho simples, a maneira encabulada de mocinha de roça, os gestos nervosos e o rubor de suas faces quando nossos olhares se cruzavam.
Devia estar nos seus primeiros cios. O olhar cheio de doçura, alegre, saltitante, os bicos dos seios eriçados roçando o vestido, já apertado, de fazenda barata.
- Oi Seu Mário! Pensei qui o sinhô tava lá pra baixo, nas roça de cacau.
Ficava aborrecido, às vezes, com aquele seu tratamento cerimonioso. Aquilo me fazia lembrar a condição de patrão, a responsabilidade, a autoridade, o respeito adquirido durante uma longa vida integra e correta.
Naquele dia, percebi que ela me olhou diferente. Estávamos a sós, e senti que era o momento.  
- Rosinha, venha aqui!
- Sim, sinhô.
-Você sabe que lhe tenho muito apreço, que você me agrada muito. Te acho muito bonita.
-Sim, sinhô.
- Fico triste quando você foge de mim feito um bicho do mato. Quero que me prometa uma coisa. Não fuja mais de mim, tá bom? Agora venha cá e me dá um abraço.
Ela veio docilmente. Suas pernas roliças, queimadas pelo sol, me deixavam louco de desejo. Acariciei os seus cabelos negros, puxei levemente o seu corpo tremulo contra o meu, beijei os seus lábios macios, seu pescoço. Acariciei sobre o vestido aqueles seios pequenos, firmes, e, aos poucos, o desejo foi superando sua timidez. Beijou-me timidamente. O vestido já não mais cobria seu corpo. Suas mãos entrelaçadas sobre minha cabeça puxavam-me contra seu peito, fazendo-o penetrar todo em minha boca. Acariciei o seu sexo, sua mão agarrava meu braço, indecisa, querendo afastar e ao mesmo tempo deixar. Seu corpo se enroscou ao meu, ávido de desejo, e se rendeu completamente lânguido. Há muito eu ansiava por aquele momento. Penetrei aquele corpinho, prolongando o mais que pude. Era como se fosse a última coisa que fazia neste mundo. Recebia-me toda entregue, os lábios entreabertos, os olhos semicerrados numa sensação de êxtase, um gemido profundo de gozo. Como se tivesse sido despertada, cravou as suas unhas em minhas costas, apertando-me como a desejar todo o meu ser nas suas entranhas.
Descemos até o córrego no fundo da casa. A água cristalina, borbulhando sobre as rochas lisas, a quietude naquele pedaço de céu oculto na mata, e nós despidos, abraçados, deitados sobre o lajedo, vivendo aquele momento mágico, aquela paz! O seu corpo molhado, e eu saboreando gota a gota, sentindo aquele gosto picante, enchendo-me de prazer.
Não me arrependo daquele dia inesquecível. E é pensando naqueles momentos que busco forças para suportar as terríveis conseqüências que até hoje sofro. Ela está grávida, tenho certeza. Mais dia, menos dia, irá aparecer a barriga. Como explicar ao seu pai? Seu Pedro, apesar de me ter um grande respeito, é um homem rude e não hesitará até mesmo em dar um tiro no seu patrão. Não vejo uma solução. Se ao menos conseguisse uma maneira de levá-la a um médic,o sem levantar suspeitas. Não, impossível!
Seu Pedro está me aguardando na sala. Deseja falar comigo. Já imagino o motivo, mas talvez eu esteja precipitando as coisas. É preciso ter muita calma. Nem tudo está perdido! Hei de encontrar uma saída.
- Seu Mário, o sinhô me disculpa a hora, mas o assunto tem urgência.
- Estou às suas ordens, Seu Pedro.
- A minha Rosinha anda meio isquisita e eu tô preocupado. Já tô imaginano o qui é.
- Desembucha de uma vez, Seu Pedro.
                - Se num for pedi muito, queria qui o sinhô levasse ela pra cidade pra sê insaminada. Tô achano  qui ela ta cum verme, e é das braba.

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